Conferência “Camilo Castelo Branco, um génio ainda um tanto incompreendido” assinala os 200 anos do nascimento do escritor
No dia 29 de abril, no âmbito das comemorações dos 200 anos sobre o nascimento de Camilo Castelo Branco (1825-1890), a Biblioteca da escola sede do Agrupamento de Escolas D. Maria II, em Vila Nova de Famalicão, foi palco de uma conferência memorável dedicada à vida e obra de um dos maiores nomes da literatura portuguesa.
Intitulada “Camilo Castelo Branco, um génio ainda um tanto incompreendido”, a conferência foi conduzida pelo Professor Doutor Sérgio Guimarães Sousa, diretor do Centro de Estudos Camilianos e da Casa de Camilo, perante uma plateia atenta de alunos do 9.º ano, professores e assistentes operacionais. O conferencista recordou o tempo em que foi docente na escola D. Maria II, em 1997, partilhando a emoção de regressar quase três décadas depois a um espaço que, segundo as suas palavras, “mantém o espírito pedagógico e humano que tanto o marcou”. Recordou ainda, com carinho, uma carta assinada por alunos, que teve na altura, ainda hoje emoldurada no seu gabinete.
O investigador sublinhou o génio camiliano, destacando a sua relevância não só no contexto literário português, onde é frequentemente colocado lado a lado com Eça de Queirós, mas também no panorama da literatura mundial. Descrito como “indisciplinado, irreverente e profundamente livre”, Camilo foi retratado pelo conferencista como uma figura que desafia os modelos tradicionais, com uma vasta obra, atravessada por temas como o amor, o sofrimento e a liberdade, tendo ainda referido que todos somos descendentes da escrita de Camilo.
O evento teve ainda um caráter muito especial e emotivo com a presença de Teresinha Carvalho, tetraneta de Camilo Castelo Branco, que apresentou brilhantemente a obra “Amor de Perdição”, um dos romances mais emblemáticos do escritor, reforçando o elo afetivo entre a herança camiliana e as novas gerações.
A conferência foi, assim, um momento de reflexão, memória e celebração da obra de um escritor maior da literatura portuguesa, cujos textos continuam a interpelar leitores de todas as idades.


